Bairro do Irajá
Rio de Janeiro
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João do Rio

Acróstico

(Agostinho Rodrigues - 1993)

J ornalista João do Rio,

O bfirmado de grande valor,

A stucioso nas reportagens,

O riginal no saber com fulgor.

D ecanto nas palavras,

O bjetivante inspirador,

R ua do Rio viveste com amor,

I lativo em crônicas com louvor,

O pimo ser prosador

Panegírico

Agostinho Rodrigues - Rio de Janeiro/RJ

Brasileiro, nasceu em 05 de agosto de 1881 no Rio de Janeiro na rua do Hospício, atual rua Buenos Aires, filho de Alfredo Coelho Barreto (gaúcho) e de Florência Cristovão dos Santos (carioca), de origem humilde. Foi jornalista, escritor, teatrólogo, cronista e contista, criado em ambiente republicano e abolicionista. Era moreno, gordo e forte. Vestia-se elegantemente com roupas que vinham da Europa, principalmente de Londres e Paris e não dispensava os charutos de boa qualidade.

Foi um dos primeiros moradores do bairro de Ipanema e freqüentador de várias ruas do centro, entre os quais, a rua do Ouvidor e o bairro da Saúde.

Pertenceu a fase de transição do modernismo. Só não se tornou um dos fundadores da Semana da Arte Moderna (13 a 17/02/1922) em São Paulo, porque faleceu antes, em 26 de junho de 1921, aos 40 anos de idade, devido a um colapso cardíaco, segundo João Carlos Rodrigues em "Catálogo Biográfico" de sua autoria.

Na sua trajetória literária, usou vários pseudônimos, tais como: Claude, João de Oliveira, João Alencar, José Antônio José, Paulo Barreto, sendo que, a partir de 04 de janeiro de 1904, segundo João Carlos Rodrigues na sua obra "Catálogo Biográfico, ele passou a utilizar com maior freqüência, João do Rio.

Seu nome completo tornou-se problemático uma vez que em algumas fontes registram João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Barreto, outras João Paulo Alberto Coelho Barreto, situação que até hoje os biógrafos não solucionaram.

Estreou na imprensa ainda adolescente (17 anos), alcançando grande sucesso devido suas idéias atrevidas e de um cunho renovador do jornalismo. Introduziu e aperfeiçoou modernidade como a entrevista, a reportagem e a crônica na imprensa, atacando com vigor o simbolismo e o parnasianismo.

João do Rio foi um dos maiores jornalistas do seu tempo, colaborando ativamente no Jornal "Cidade do Rio" com José do Patrocínio (patrono de uma das Escolas Municipais do Rio de Janeiro, localizada na rua Gustavo de Andrade n 270, no bairro de Irajá), Jornal "O DIA", "Gazeta de Notícias", que inclusive foi diretor, e o "País". Além de crônicas e reportagens com recortes de pontos dramáticos e pitorescos da Cidade, João do Rio foi autor de teatro de revista e tradutor, principalmente de Oscar Wilde e Charles Dickeus. gradativamente, João do Rio foi-se tornando cada vez mais cronista e menos repórter.

Na Seção "Pall - Mall", do Jornal "O País", alcançou grande popularidade através de suas crônicas. Mais tarde, fundou o periódico "A Pátria", criando várias controvérsias diante da visão impiedosa do cronista.

Com 28 anos de idade, beirando os 29, com quatro volumes já publicados, à saber: "As Religiões do Rio"- (1905), crônica, que analisa os cultos afro-brasileiras; "A Alma Encantadora das Ruas"- (1908) - conto; "Cinematográfico"- (1909) - crônica e "Dentro da Noite"- (1910) - contos, que radiografa a boêmia e o submundo da Lapa, e diante da popularidade crescente na imprensa, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira n° 26, patronímica de Laurindo Rabelo, antecedendo o Acadêmico Guimarães Passos no período de 1910 a 1921 e posteriormente, membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, Sociedade dos Homens de Letras de Paris e Associação de Imprensa de Roma.

No discurso de posse na ABL, João do Rio introduziu o seu modernismo que viria surgir com Oswald e Mário de Andrade, com seus contos de amores impossíveis e relações inconclusas se aproximando das teorias psicanalistas (homossexualismo, lesbianismo e perversidade sexual), misturados com ilusões e romantismo açucarados, feitio da época.

Entre suas obras significativas, cita-se "A Alma encantadora das ruas", publicada em 1908, reunindo textos da Gazeta de Notícias e da Revista Kosmos, que o autor para reunir matérias, foi a rua, isto é, ao encontro delas, para se aproximar o máximo possível da realidade.

Há mais ou menos 373 termos empregados em língua estrangeira. Estende, em seu passeio poético, pequenas narrativas destacando personagens e aspectos inusitados vistos e ouvidos nas ruas cariocas: tatuadores, mercadores de livros, pintores de tabuletas e inúmeros marginalizados exercendo pequenas profissões que os tornam diferentes; modinhas, cordões carnavalescos e lundus (primitiva dança cantada, rural, de origem africana), enfim, tudo aquilo que forma o grande painel em que reina absoluta "a musa eterna das ruas". Captação profunda da alma urbana. Rio de Janeiro, formoso por suas belezas mas incompreendido em seu lado grotesco, humano e sofredor. Beleza e miséria juntos num Rio complexo de ruas personificadas (terreiros, inferninhos, bordel, favelas, etc.), fonte de material inesgotáveis para quem nelas se debruçam, observam, refletem e conseguem revelar tão bem as desigualdades existentes sob o mesmo e incrível céu. Aproximação a continuidade, dada pelo jornalista, cronista e romancista Lima Barreto (1881/1922), no modernismo propriamente dito. Estilo de linguagem emocionada com metáforas ora fortes ora rasas o que denunciam uma sentimentalização que chega a raia do melodramático.

Em 1919 João do Rio publicou mais um trabalho também de elevada importância, intitulado "A mulher e os espelhos", desta feita percorrendo miragens textuais do esteticismo decadente com a inclusão de 18 contos que, no entender de J. Carlos Rodrigues , o estilo do autor "alcança o auge do cinismo e da sofisticação".

Reúne uma variedade de narrativas que estimulam o leitor a participar de reflexões que convergem sempre para a figura centralizadora da mulher, motivo de conflitos apresentados nas histórias predominantemente de pessoas infelizes e seus amores frustados, entre outros, sendo que na maioria, relatadas por um narrador que rememora dramas de amor em meio a reuniões, encontros fortuitos nos mais diversos locais.

"A Alma encantadora das ruas" (1991) e "A mulher e os espelhos" (1990), entre outras, foram publicadas com uma 2a edição pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes - Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, na gestão do Exmo. ex - Prefeito, Dr. Marcello de Alencar.

Neste trilhar de importantíssimas obras desbravadas em sua quase total realidade do dia-a-dia do seu tempo, surge o dia 26 de junho de 1921, em que João do Rio deixou a vida terrena.

Segundo Daniela Name, no seu ensaio no Jornal O GLOBO, de 13 de abril de 1996, cerca de cem mil pessoas foram ao enterro do jornalista João do Rio, um recorde para os tímidos funerais da época, dando assim uma evidente prova de como o cronista era bem estimado pelo povo.

A conclusão deste trabalho, fica com as palavras do falecido ex-presidente da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Jornalismo e Presidente de Honra da Academia Irajaense de Letras e Artes, professor e jornalista Modesto de Abreu, quando da minha posse na ABJ, em 13 de maio de 1993: " ... fui a primeira pessoa no Rio, no Brasil e no Mundo a ver João do Rio morto e Austregésilo da Atahyde, o último a vê-lo vivo".

O Intelectual professor e jornalista Modesto de Abreu ostentava na ocasião 95 primaveras.

O falecido escritor e jornalista Austragésilo de Atahyde, foi Presidente da Academia Brasileira de Letras por muitos anos.

Por força do Decreto n° 10. 205 de 1991 do ex - Prefeito Marcello de Alencar, JOÃO DO RIO, tornou-se patrono da Biblioteca Popular de Irajá, passando a denominar-se Biblioteca Popular de Irajá, João do Rio.

João do Rio é também patrono do CIEP de Guadalupe, localizado na rua Pinheiro Bittencourt s/n°.

Obras do Autor

  • 1906 - Chic - Chic (teatro).
  • 1907 - A última noite (teatro).
  • O momento literário (inquérito).
  • 1908 - Dinheiro haja (teatro).
  • 1909 - Fados, canções e danças de Portugal (crônicas).
  • 1911 - Vida Vertiginosa - crônicas.
  • Portugal d’ agora (ensaio).
  • 1912 - Os dias passam.
  • A bela Madame Vargas (teatro).
  • 1913 - A profissão de Jacques Pedreira (novela).
  • 1915 - Eva (teatro).
  • 1916 - Crônicas e frases de Godofredo de Alencar (crônicas).
  • No tempo de Wenceslau (crônicas).
  • 1917 - Pall - Mall Rio (crônicas).
  • O momento de Minas (conferências).
  • Sésamo (ensaios).
  • 1918 - A correspondência de uma estação de cura (romance).
  • Ramo de loiro (ensaios).
  • 1919 - Na conferência da paz (inquérito).
  • Adiante (ensaios).

 

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