Bairro do Irajá
Rio de Janeiro
História e Curiosidades

Origem

Fundação do Bairro de Irajá

(ENSAIO)

A preservação da memória do passado em função do presente, sempre deve prevalecer.

IRAJÁ, segundo Theodoro Sampaio, engenheiro brasileiro contemporâneo, nascido na Bahia e na época, considerado o notável conhecedor brasileiro de assuntos indianistas e autor do o Tupi, significa na língua tupi-guarani, "O mel brota ou se produz".

Este Ensaio, extraído da pesquisa histórica iniciada em meados de 1991 sobre o bairro de Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro, salvo uma melhor interpretação histórica convincente, caracteriza ser a data de fundação (aniversário) do bairro de Irajá, o ano de 1613, sem nenhuma outra condição de que se possa estabelecer o dia e o mês, por estar elas ignoradas em todos os escritos à respeito do até então, salvo o "in fine" em forma de sugestão que é exposto, se não vejamos:

Com entusiasmo ensejo,
cheio de esperança ansiosa,
ao IRAJÁ eu desejo,
prosperidade grandiosa.

IRAJÁ, teve origem nas Sesmarias ainda sob a regência de Portugal. Seu primeiro donatário, foi o jesuíta Gaspar da Costa, cujo filho, em 30 de dezembro de 1644, objetivou as transformações necessárias da então Capela barroca de Irajá, criada em 16l3, instituindo a Paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, tornando-se o seu primeiro vigário e devidamente confirmada por Alvará de funcionamento assinado por D. João IV em 10 de fevereiro de 1647. Isto porque as Capelas não eram obrigadas, pelo menos na época, ter Alvará para funcionamento. Eram erguidas pelos fiéis católicos nas propriedades coloniais, geralmente pelo próprio donatário dos respectivos engenhos, mais tarde fazendas.

Surge então a pergunta:

- Por que não existe dia e mês?

A resposta é lógica: ou a Capela já existia de janeiro à abril de 1613, quando o jesuíta Gaspar da Costa, recebeu as extensões de terras ou então ela foi erguida no período compreendido de abril à dezembro de 1613, partindo-se do pressuposto da data de 02 de fevereiro de 1613, por apresentar uma forte evidência com relação ao também proprietário de terras, o pároco Antonio Martins Loureiro, fundador da Igreja da Candelária, que também recebeu grande extensão de terra neste citado ano.

Uma nova pergunta é cabível:

- Como chegou-se a esta conclusão?

  1. Contatando com o ilustre Acadêmico Correspondente da AILA, Escritor e Poeta, Joaquim Francisco de Castro, de Fânzeres – Gondomar/Portugal, o ilustre Acadêmico fez a máxima gentileza de comparecer a Torre de Tombo e, após pesquisa, os dados colhidos, são os mesmos, sem quaisquer possibilidades de alteração.
  2. Padre Antonio de Freitas, em entrevista ao Rio Ilustrado de 1937, destaca o tempo da existência da Igreja como uma das mais antiga do Brasil, considerando mais velha do que ela apenas algumas Igrejas da Bahia que segundo o pároco é "célula mater da nacionalidade brasileira" e uma ou duas no Maranhão, tendo em vista a data de 1613 até hoje gravada em pedra no frontispício da Igreja.
  3. No livro Templos Históricos do Rio de Janeiro – 1946 (MCMXLVII) – 2a. edição – do escritor Augusto Maurício, que entre outras observações, retrata: "... Os portais, tanto das janelas como da entrada, são de grama, vendo-se no centro deste último a data gravada de 1613."
  4. O livro Cento e Sete Invocações da Virgem Maria do Brasil da Escritora Nilza Botello Megale – Editora Vozes – Petrópolis/RJ – 1980, dá uma aproximação da realidade dos fatos relativo a Capela, uma vez que em outras observações registra: "No Brasil, a primeira paróquia dedicada a esta invocação foi de Natal, no Rio Grande do Norte, fundada em 1559."
  5. No Jornal "Folha Leopoldinense" - 1987, numa reportagem de Egbért Fernandes, intitulada "As Memórias de Irajá", em apoio ao concurso de monografias contando a história do bairro, promovido pelo Rotary Club de Irajá, também retrata a data de fundação registrando: "... Sem precisão de idade, os registros cronológicos mostram que em 1613 ela já existia, sendo de propriedade de uma das fazendas que ocupavam o local na época."
  6. No Jornal "O Globo – Madureira" – 1985, numa entrevista junto ao Monsenhor Luiz Machado, da Igreja Nossa Senhora da Apresentação, no Irajá, não encontrou os dados sobre a construção "iure" antiga capelinha barroca que lhe foram entregues pela Cúria, quando fez uma pesquisa sobre os monumentos sacros. Mas sei que ela é superior a 1613 ou dessa época ....(grifo meu)".
  7. Freguesias do Rio Antigo do autor Fernando de Noronha (1965), também reporta dados que leva ao ano de 1613.
  8. As concretizadas e ratificadas memórias de antigos moradores do bairro, tão bem registradas no volume 6 – MEU IRAJÁ – Agostinho Rodrigues – 1997, intitulado "Paróquias, Igrejas, Capelas(Católica Apostólica Romana), Educação Religiosa e Cultural – Cemitério.

Conclusão:

Se há um interesse enorme de que se tenha dia e mês que caracterize o marco das festividades do bairro de Irajá, não só pela sua grande participação histórica no progresso do Rio de Janeiro mas também do próprio bairro, segue em forma de sugestão as seguintes datas abaixo, diante do aspecto social do lugar em que todas as afirmações dão conta que o bairro desenvolveu-se por muitos anos em função da Igreja.

  1. A data de 30 de dezembro, quando se comemora o Aniversário da Paróquia de N.S. da Apresentação de Irajá, dia que a imagem, vinda de Portugal em 1644 na Igreja se estabeleceu, segundo declarações do Padre Antonio de Freitas, estão Vigário de Irajá e do Padre Januário Tolomey - Rio Ilustrado de 1937; e/ou
  2. A data de 21 de novembro, quando pela tradição antiga é a N.S. da Apresentação festejada, conforme incluso no Missal Cotidiano – Completo – 1936 – Ano do II Congresso Eucarístico no Brasil, reimpresso pela Impressora Beneditina Ltda.– Salvador/Bahia – D. Beda Keckeisen – ºS.B. de 27/11/1954, cortesia da Acadêmica da AILA, Jarnete Ferreira Soares/RJ.

Espero que este ensaio venha se constituir um marco a mais na nossa história, que defino através da mensagem elaborada no período da pesquisa histórica cultural do bairro.

"IRAJÁ, terra faceira
se manifesta sorrindo
com alvura hospitaleira
sempre ecoa: Seja bem vindo!"

 

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